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O governo lá se aguentou, primeiro assumindo que era um governo de coligação e não um governo do par PM-ministro das finanças. Depois da confirmação dos votos, alguma pedagogia necessária à estabilidade governativa e à percepção dos cidadãos dessa estabilidade. Fez-se o balanço de um ano e meio (muito optimista na perspectiva do governo), recentrou-se a missão de colocar o país de novo alegremente nos mercados (?), enquanto cada um por si, ministro da economia e ministro da educação e ministro da segurança socoal (uf!) se desdobraram em operações de marketing político.

Este esforço de aproximação aos cidadãos trouxe, pelo menos, alguma acalmia na agitação geral. E reduziu a preocupação generalizada com a representatividade e, consequentemente, a legitimidade. 

 

A responsabilidade deste governo era enorme e agora ainda é maior. Em vez de se escudar eternamente nessa difícil missão para justificar os fracos resultados, teria sido melhor dizer toda a verdade sobre a verdadeira dimensão do buraco orçamental e outros buracos presentes e futuros.

Teria sido melhor também, além dessa informação, manter a transparência das contas seguintes, em que buracos iam desaparecendo as receitas sucessivas. Em vez disso, a informação foi sempre insuficiente e contraditória, tanto dos elementos do governo como dos canais televisivos.

Também o exemplo teria sido um factor de coesão e não de fractura: os cidadãos perceberam que há duas dimensões que não se encontram, a dimensão das excepções e a dimensão dos que pagam a factura.

Para nossa desgraça, também as diversas vozes na Europa não têm sido coerentes nem consequentes. E para desgraça maior, o triunvirato desculpa-se com o governo e o governo com o triunvirato.

 

É nesta fase que estamos, de comparação da avaliação do governo sobre os resultados de um ano e meio e a avaliação dos cidadãos sobre os mesmos resultados. E a avaliação é muito diferente: os cidadãos sentem na pele as consequências das "medidas" governativas, o governo só se tem preocupado em cortar, cortar, cortar.

Gerir não é apenas cortar na parte mais fácil. Se assim fosse, não precisávamos de um governo.

Gerir é ver o grande plano, é definir prioridades, é tomar as melhores decisões para todos, é desenhar um percurso, é informar os cidadãos de cada fase desse percurso, percurso em que se pode arrepiar caminho ou mudar a rota, numa permanente adaptação às mudanças internas e externas que nos afectam. Gerir é construir uma relação de confiança, é respeitar acordos, é informar claramente sobre as alterações necessárias. Gerir é dar o exemplo, só assim se terá a colaboração dos cidadãos, e esta missão do governo exige a colaboração de todos.

Mas isto implica uma mudança cultural profunda, de cima abaixo. Interessante que a mudança está a ser exigida de baixo para cima. E o primeiro sinal foi o 15 de Setembro.

 

A cultura corporativa que nos estruturou até aqui já é muito antiga, mas tornou-se sufocante numa época em que contraria a lógica de uma sociedade da informação, da economia de mercado livre, das regras da concorrência, do equilíbrio social saudável. A cultura corporativa não permite o funcionamento de uma democracia de qualidade. A cultura corporativa é própria de sociedades pouco livres.

Mas é esta lógica corporativa que se quer impor aos cidadãos portucalenses e aos cidadãos europeus, com a capa de democracia representativa parlamentar. Só se for para lamentar depois.

 

Para já, o governo está a tentar manter-se nessa falha tectónica cultural, e até já admitiu que não tem força suficiente para pressionar o lado mais forte (as tais excepções). Uma coisa é certa: se a falha tectónica conseguir movimentar-se até se reequilibrar (o tal exemplo, a distribuição do pagamento da factura por todos, a informação fidedigna, a transparência), poderemos ultrapassar esta fase difícil de forma pacífica.

A quem servem os conflitos? Se o governo souber seguir a bússula da responsabilidade, não deixará que isto resvale para o conflito e o desespero. Para isso, terá de estar muito atento às situações críticas.

Para já, parece ter o apoio dos órgãos de concertação social, o que é uma clara vantagem. Excepção para a CGTP que se mantém agarrada à cultura corporativa obsoleta. Onde já se viu fazer uma greve que prejudica a economia do país (portuários) e os cidadãos comuns (transportes públicos)?

Quanto ao PS, tem mantido uma certa dignidade, o que me tem surpreendido. Se mantiver essa postura responsável, já seria menos um obstaculo.

 

Quanto à informação cruzada que circula nos canais televisivos, essa telenovela que só confunde e pouco informa, parece que terá de ser cada um a tomar a iniciativa de desligar a televisão. De vez em quando lá aparece uma voz oportuna e sensata, mas é logo engolida por outras vozes.

As antenas abertas vão mantendo a ilusão de participação da opinião pública. São um escape, um desabafo. Depois vota-se numa pergunta fechada e demasiado genérica. E está tudo dito. É como as sondagens, só servem para confundir.

Participar é outra coisa. É poder mudar alguma coisa para melhor. E nesse sentido, qualquer colaboração natural, espontânea (não gosto do termo voluntariado), no lugar onde se vive ou onde se trabalha, algumas horas dedicadas à confirmação da nossa humanidade, à fraternidade essencial, é talvez a melhor forma de ir mudando a lógica fragmentada da sociedade actual.

 

 

 

 

publicado às 12:35

Lá temos nós de voltar ao Manual de sobrevivência do cidadão comum. Pensávamos nós que o pior já tinha passado, mas o pior ainda estava para vir. Comecemos por este orçamento. Este orçamento, à falta de melhor classificação, é delinquente e provocador, é contra as pessoas concretas e contra a economia, é mesmo sádico e desumano.

Vamos por partes:

Delinquente = porque, tal como a TSU, provocou instabilidade e insegurança, e potenciou o conflito social;

Provocador = pela rigidez e chantagem (próprias da linguagem do poder) na insistência da sua inevitabilidade;

Contra as pessoas concretas = e sempre as mesmas, as que não se podem defender, numa situação já frágil e precária;

Contra a economia = mesmo que tenham dado finalmente algum tempo de antena ao ministro Álvaro com uma medidas na mão que não convenceram, nem pelo timing nem pela sua insuficiência;

Sádico e desumano = só uma estrutura com prazer no exercício do poder que afecta milhões de pessoas, podia apresentar um orçamento miserável como este. 

 

Diversas vozes caseiras, de influência nas grandes decisões que afectam os cidadãos, têm participado activamente na propaganda deste governo (perdão, do par que decide por todos, o PM e o ministro das Finanças) e deste orçamento.

Foi preciso vir de França uma voz sensata a defender Portugal e outros países em idênticas circunstâncias, porque cá as vozes influentes seguem acriticamente a Alemanha e nem se importam de defender este orçamento. Podem utilizar o termo "doloroso" (desde que não seja doloroso para eles), para nos convencer que são pessoas compassivas, compreensivas. Mas ouvir este termo ou outros, na sua voz, ainda é mais repugnante. Mais vale estarem calados e revelar respeito pelas pessoas. Quem age contra as pessoas, deve pelo menos calar-se.

É certo que algumas vozes respeitadas, da área das finanças e da economia, têm demonstrado que este orçamento não é exequível, que matará a economia e que não reduzirá o défice.

É aqui que eu gostaria de chegar. Não é para baixar o défice, isso já percebemos, portanto atinge outros objectivos. É este o nível moral e cultural dos actuais gestores políticos e financeiros, os seus concidadãos podem passar fome mais um ou dois anos, mesmo que não seja para baixar o défice, mas porque atinge os verdadeiros objectivos: o valor do trabalho tem de baixar, o consumo tem de baixar, e assim até ao nível da escravatura. E defendem isto sem quaisquer rebates de consciência. 

Quando numa sociedade se chega a este grau de decadência moral e cultural, quando faltam lideranças com uma consciência humana, formação cristã, empatia e compaixão, os cidadãos têm de se unir e defender-se desta destruição das suas vidas.

 

Talvez nunca tenhamos estado numa situação tão complicada. Uma UE que se comporta de forma abusiva nos poderes, desequilibrada e inconsequente. Quando ouvimos o Presidente da CE dizer uma coisa hoje e o seu contrário amanhã, da forma mais ambígua e oportunista, percebemos bem que há agendas escondidas. A chanceler alemã comporta-se como se fosse a dona da Europa. E virá cá um dia destes como se fossemos uma qualquer colónia alemã. Também foi à Grécia com um discurso cinicamente compreensivo, o que é percebido pelos gregos como provocação. Mas a França tem mantido a sensatez. Esperemos que a sua voz seja ouvida.

 

 

 

publicado às 00:25

Volto a esta esplanada numa tarde de sol outonal... A esplanada está fechada há dois anos, ninguém lhe pegou entretanto. Afasto as grades e abro a porta. Uma barra de luz invade a sala. Silêncio total. Abro as janelas e olho em volta. Cadeiras empilhadas num canto, mesas a seguir, duas a duas, o balcão lustroso agora coberto de pó. Saio para o terraço mas deixo a porta aberta. Em frente, casas rodeadas de jardins, agora abandonados também. Dizem-me que muitos foram para fora, a maioria contrariados, preferiam ter ficado no seu próprio país. Nada mais triste do que uma casa fechada e um jardim abandonado. Mas nas grandes cidades é bem pior, loja sim loja não as grades fechadas, apartamentos entregues aos bancos e famílias despejadas na rua. Como na América. O sol é o único consolo quando se pensa no que aconteceu aos portucalenses.

 

Esta esplanada, Vozes Dissonantes, abriu em 2007 e acompanhou com registos, entre o racional e o emocionado, uma época de grande decadência moral e cultural. Fechou em Novembro de 2010 para não assistir ao fim de um país. Mas o pior ainda estava para vir. Ninguém, por mais pessimista que fosse, poderia esperar o pesadelo que se seguiu. De PEC em PEC, tendo o primeiro sido anunciado nas costas dos portucalenses a 13 de Maio de 2010, acabámos nas mãos de um triunvirato (credores) e de uma equipa que obedeceu caninamente a um plano diabólico (à falta de melhor designação): desvalorizar o valor do trabalho para servir a lógica da subserviência financeira (uma economia competitiva com a China) e, para isso, era preciso aumentar o desemprego sob a capa de "austeridade para honrar as nossas dívidas", para "libertar a economia" e "começar a crescer".

Independentemente das dívidas terem sido contraídas pelas equipas anteriores, sobretudo pela mais recente, as pessoas aceitaram o programa esperando os resultados prometidos. Mas o plano era outro, e as pessoas só se aperceberam do logro quando, na sua sofreguidão e arrogância (a contar com o conformismo dos portucalenses), a equipa ter revelado a sua verdadeira natureza e objectivo: a lógica da TSU era óbvia. As pessoas tinham sido enganadas, o plano era outro. Não só não haveria crescimento económico, como as suas vidas iriam piorar de ano para ano, num calvário prolongado em que continuariam a ter de emigrar contrariadas ou sobreviver com o apoio da família e da comunidade.

 

Este é o maravilhoso desenho do futuro para o país e para os seus concidadãos: criar as condições favoráveis à aceitação de uma união política europeia porque as alternativas são impensáveis. Atira-se a pessoa ao mar revolto para depois lhe atirarem com uma bóia para obedecer aos seus desígnios. Não há alternativa, não há alternativa, não há alternativa. Mas há também quem diga que nos querem mesmo atirar borda fora do euro sem podermos responsabilizar a UE, a CE, o BCE...

Seja como for, quem desenhou o plano nos gabinetes, corredores e salões do poder iluminado, político e financeiro, não tem um pingo de empatia humana, de respeito pelos seus semelhantes, de formação cristã, arriscaria mesmo a dizer que revela um perigoso complexo de superioridade. Não me refiro ainda ao par que nos governa (PM e ministro das finanças), porque este par que nos governa recebe ordens e executa-as sem hesitar. Só começou a hesitar, não por súbitos rebates de consciência mas porque, ao revelar o plano, colocou em risco a sua aplicação até ao fim: colocar-nos nas mãos da inevitabilidade da união política europeia ou a tal hipótese de nos excluírem do clube do euro. Só aí recuaram. Reparem na coincidência: numa mesma semana vemos o Presidente da CE a referir que a UE nada tem a ver com a "austeridade" (?), a Directora-geral do FMI a assumir que se exagerou na dose (??), a chanceler alemã a visitar Grécia e em breve Portugal e, para cúmulo, a UE receber o prémio Nobel da Paz (???)

 

Este é um filme de terror que tem sempre uma cena de suspense à nossa espera. Não me refiro ao OE 2013, daí já nada se espera. Ao ouvir o ministro das finanças em mais uma conferência de imprensa e depois da sua ida ao parlamento acompanhado pelo regimento de soldados e pelos seguranças, insistir na cassete tem de ser ou perdemos a credibilidade, não tenho quaisquer dúvidas em afirmar que este governo é, na sua cultura de base, na sua acção e na sua estética, fascizóide. A equipa anterior já revelava alguns tiques nesse sentido mas não chegava a este requinte.

Passo a explicar: 

- forte com os fracos, fraco com os fortes = linguagem do poder (Arno Gruen em Falsos Deuses); 

- prazer em exercer poder sobre outros, sobretudo se esse poder implica infligir danos nos mais fracos = sadismo no método, ao provocar stress, ansiedade e medo;

- o poder é exercido de forma impessoal e distante, o tom monorcódico, sem qualquer emoção = recorrer a termos técnicos como "ajustamentio" que implicam pobreza e fome às pessoas concretas (na guerra utiliza-se o termo "danos colaterais");

- cerimonial bélico, os soldados (secretários de estado) à volta do capataz (ministro) e os seguranças atrás = o poder é bélico, afirma-se pela força; 

- a propaganda do poder faz-se de forma espectacular = apresenta-se aos cidadãos com pompa e circunstância em conferências de imprensa com os enxames de jornalistas à procura da melhor fotografia e de alguma resposta, como se se tratassem de celebridades.

 

O poder fascizóide é um poder alucinado pois, no caso, já não é representativo nem aceite pela sua base de apoio, já não é democrático. Ao insistir em afrontar os cidadãos, já se prevê o que virá a seguir (ex.: a ameaça do PM a Jerónimo de Sousa no parlamento). É a lógica da linguagem do poder.

Compreende-se agora o que disse D. Januário e que tanto escandalizou as pessoas. Há a corrupção da alma, esqueceram? Foi assim que eu interpretei as palavras de D. Januário na altura: uma alma incapaz de empatia e compaixão é uma alma incompleta, uma consciência profundamente deformada. Agora percebe-se o que D. Januário quis dizer: a decadência moral e cultural dos gestores do poder político que servem interesses obscuros.

 

Precisamos urgentemente de um governo de salvação nacional e é mesmo de salvação das pessoas que se trata, constituído por independentes, com uma convicta cultura democrática e respeito pelos seus semelhantes, que amem o seu país mas sobretudo as pessoas, com uma estrutura de personalidade empática, saudável, equilibrada, que ajam com sensatez, que se afirmem perante os poderosos para defender os interesses dos cidadãos. Além de bons técnicos, precisamos de pessoas em que as pessoas possam confiar. Só assim vamos a algum lado.

Bem pode o Prof. Marcelo esbracejar que este governo tem de aguentar mais 3 anos... que não há alternativa... que o ministro das finanças tem prestígio na Europa (só se for como executor obediente da CE, da mesma CE que agora diz que nada teve a ver com o "programa de austeridade"). Mas é interessante ouvir o Prof. Marcelo porque ele transmite a mensagem dos corredores do poder (governo, Presidente e outros não identificados mas já subentendidos). Ou seja, o Presidente não quer participar na fase mais difícil da nossa vida colectiva (e já nem estou a falar do país mas das pessoas que o habitam). 

De qualquer modo, é pouco sensato querer manter no poder uma equipa que já não pode sair à rua, tal como a anterior, em que já ninguém confia, não só por ter falhado tudo o que prometeu, mas por não ter dito que isso já estava previsto, que esse era o plano.

E independentemente da total falta de confiança das pessoas, ainda acham que é defensável o país continuar a seguir o plano que o par quis aplicar seguindo instruções da CE  que agora não querer assumir que lhe deu?

 

Que a consciência do Presidente ainda lhe permita tomar uma iniciativa em defesa dos seus concidadãos na grave crise democrática que atravessamos. Que não queira ficar na história como o Pilatos e lavar as mãos quando as pessoas mais dele precisaram. Aliás, Pilatos representava Roma, ainda tinha essa desculpa. Mas as pessoas votaram no Presidente, não se pode distanciar dessa responsabilidade. As pessoas já lhe disseram claramente não confiar neste governo. Quando as coisas chegam a este ponto de ruptura não há nada a fazer. Além disso, de tal modo a nossa democracia representativa está fragilizada, que a solução a curto-prazo não se vislumbra nos partidos. Os próprios partidos precisam de se regenerar profundamente, a sua cultura de base muito pouco  democrática, mudar de gente elegível, outras caras outra formação, mudar a lei eleitoral que a torne mais representativa e próxima do eleitor. Há muito a fazer nessa área. Podem perfeitamente aproveitar dois ou três anos para fazer esse TPC.

 

 

 

publicado às 18:08


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